Eu sou alguém frustrado.

Alguém que se esqueceu do que era quando foi privado daquilo que mais queria, ou melhor, daquilo que queria ser.

Eu sou alguém castrado.

Alguém sem asas, atordoado. Ser pensante, embora indignado, não faz juz ao corpo e a alma que se tem.

Eu sou alguém dilacerado.

Partido, não ao meio, mas em vários pedaços, cada um deixado áquele que pediu para si, desde que ainda nem nascido era.

Eu sou alguém amordaçado.

Surrado, capturado. Alguém sem fala, onde o único som que se exala é o gemido do choro contido, choro de que o soluço – silêncio – veio calar.

Eu sou alguém amargurado.

Alguém que culpa o passado, despreza o presente e teme o futuro. Alguém que dorme enquanto não se está escuro para quando a noite sem estrelas chegar, poder fingir-se de cego e mudo para satisfação não precisar dar.

Sou alguém cujo nome é ninguém. Aquele que não existe, que não vive.

 

 

 

 

By KarolinaMelo

 

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